Quando o autocuidado adoece
Muito se fala sobre a importância do autocuidado para a saúde física e mental, e, de fato, é inegável que estamos vivendo em um mundo que tem valorizado cada vez mais a saúde, e que tem encontrado cada vez mais praticas de autocuidado que tem como objetivo aumentar qualidade de vida: a corrida, a academia, os cuidados com a pele, a alimentação saudável... a lista é infinita!
Ocorre que a forma como nos relacionamos com essas práticas muda completamente a forma como elas impactarão em nossas vidas: de forma positiva (como se espera que seja), ou de forma negativa.
Quando a atividade física deixa de ser praticada como um forma de cuidar e de movimentar o corpo, e passa a ser uma punição quando se come mais do que devia, deixa de ser uma prática de auto cuidado e vira hipercompensação, uma forma de exercer controle.
Quando a alimentação deixa de ser uma forma de nutrir o corpo e os desejos e passa a ser uma forma de controlar sua aparência, ou até mesmo seu valor no mundo, deixa de ser autocuidado e se estabelece então uma relação negativa com a comida.
Quando os cuidados com a pele deixam se ser estratégias para se sentir bem conisgo mesma, e passam a ser uma forma de se adequar ou pertencer, isso deixa de ser autocuidado e vira uma pressão por estética e consumo fora da normalidade.
Isso significa que nem todo mundo que tem ações de autocuidado, de fato está se cuidando e vivendo com saúde e qualidade de vida. É por isso que precisamos observar o sentido que damos ao nosso autocuidado, e a função que ele tem em nossas vidas, para que uma prática que inicialmente tem como objetivo nos dar mais qualidade de vida, não se transforme em controle, rigidez e autocobrança.